No Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, celebrado em 7 de maio, especialistas alertam para sinais precoces, impacto emocional e importância do diagnóstico antecipado
O dia 7 de maio marca o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, uma condição que ainda enfrenta desafios importantes no diagnóstico e no reconhecimento dos sintomas, especialmente entre mulheres mais jovens. Uma pesquisa inédita da iHealth Insights ajuda a dimensionar esse cenário e reforça a urgência de ampliar o olhar sobre a doença.
Com base em dados de mais de 3 milhões de pacientes atendidos em 44 instituições de saúde, o levantamento identificou 36.527 mulheres com diagnóstico, histórico ou investigação de endometriose, o equivalente a 1,32% do total feminino analisado. A dor aparece como principal sintoma, presente em 57% dos casos, seguida por sangramentos em 22%, cefaleia em 14%, náuseas em 13% e alterações gastrointestinais, como diarreia em 10% e vômitos em 9%.
Embora a maior concentração esteja entre mulheres de 40 a 59 anos, que representam 54,2% dos registros, e 35,1% entre 18 e 39 anos, o estudo também identificou casos em faixas etárias mais jovens. Entre 2023 e 2025, cerca de 1.800 mulheres tiveram atendimentos relacionados à condição, reforçando o impacto contínuo no sistema de saúde.
Para Karlyse C. Belli, diretora de dados da iHealth, os números mostram que ainda há um caminho importante a ser percorrido. “A endometriose ainda é uma condição subdiagnosticada, muitas vezes normalizada dentro da rotina feminina. Quando analisamos dados clínicos em escala, conseguimos enxergar padrões que mostram não apenas a prevalência, mas também a sobreposição com outras condições e o impacto real na jornada dessas pacientes”, afirma.
Um dos principais entraves para o diagnóstico é justamente a normalização da dor. Sintomas intensos, que deveriam acender um alerta, muitas vezes são tratados como parte natural do ciclo menstrual.
O ginecologista Dr. César Patez destaca que esse comportamento pode atrasar o diagnóstico por anos. “A adolescente com endometriose geralmente apresenta dor progressiva, muitas vezes incapacitante e que não melhora com analgésicos comuns. Sintomas associados ao período menstrual, como dor ao evacuar ou urinar, também são sinais de alerta. O diagnóstico precoce muda completamente a evolução da doença”, explica.
Além da dor física, a doença pode trazer consequências importantes para o futuro reprodutivo. Ainda que o diagnóstico seja mais comum na vida adulta, a condição pode se desenvolver antes e evoluir silenciosamente.
“A endometriose pode afetar a fertilidade, principalmente quando compromete ovários e trompas. Mas isso não significa infertilidade definitiva. Com acompanhamento adequado desde cedo, conseguimos preservar a função reprodutiva e melhorar as chances de gestação no futuro”, afirma a especialista em reprodução humana Dra. Taciana Fontes Rolindo.
Os impactos não se limitam ao corpo. A dor crônica pode interferir diretamente na saúde mental, no desempenho escolar e nas relações sociais, especialmente entre adolescentes.
“A dor constante não afeta só o corpo, ela vai mexendo com o emocional aos poucos. A adolescente pode se afastar da escola, evitar convivência social e desenvolver sentimentos de frustração e isolamento, o que impacta autoestima e relações”, explica a psicóloga Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa.
A especialista também chama atenção para um problema recorrente: a invalidação dos sintomas. “Muitas meninas escutam que sentir dor é normal, o que faz com que duvidem de si mesmas e demorem a buscar ajuda. Esse atraso prejudica não só o tratamento, mas também a construção da autoestima e da confiança no próprio corpo”, destaca.
Outro ponto importante é que nem toda dor pélvica está relacionada à endometriose, o que reforça a necessidade de investigação adequada.
“A endometriose costuma ter relação com o ciclo menstrual, enquanto outras condições, como a congestão pélvica, apresentam dor contínua e sensação de peso. Exames de imagem, como ultrassonografia com Doppler, são essenciais para diferenciar essas condições”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Helena.
As alterações hormonais envolvidas na doença e nos tratamentos também podem trazer reflexos em outras áreas do organismo, incluindo a pele.
“A endometriose e seu tratamento podem desencadear acne e processos inflamatórios na pele. Por isso, o acompanhamento especializado é importante para evitar agravamentos e tratar de forma integrada”, orienta o dermatologista Dr. Gustavo Saczk.
Diante de um quadro que pode evoluir ao longo dos anos, o acompanhamento contínuo e multidisciplinar se torna essencial para garantir qualidade de vida.
“O diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução da doença e intervir no momento certo. Em casos específicos, podemos pensar até em estratégias de preservação da fertilidade. O mais importante é um cuidado individualizado e multidisciplinar”, afirma o ginecologista Dr. Vinícius Araújo.
Os dados reforçam que a endometriose não é uma condição restrita à vida adulta. Identificar os sinais ainda na adolescência, com escuta ativa e acesso à informação, pode mudar o curso da doença e evitar impactos mais severos no futuro.
(Crédito: Produzida por IA)
